Startup cofundada por brasileiro enfrenta crise financeira, enquanto gigante do entretenimento faz proposta milionária por talentos.
A Character.AI, plataforma de chatbots de inteligência artificial cofundada pelo brasileiro Daniel de Freitas, entrou com um pedido de proteção contra credores sob o Capítulo 11 da lei de falências nos Estados Unidos. A medida foi protocolada em 12 de outubro em um tribunal de Delaware, marcando uma reviravolta para a empresa avaliada em US$ 1 bilhão em 2023.
Enquanto a empresa busca um comprador para manter o serviço em operação até o final de novembro ou início de dezembro, a Disney apresentou uma proposta estratégica para licenciar tecnologias e absorver mais de 60 profissionais da equipe de engenharia. A continuidade da plataforma agora depende diretamente da aprovação judicial e da venda de ativos.
As negociações ocorrem em meio a um cenário de pressões regulatórias e disputas legais envolvendo a segurança de menores na plataforma, conforme informação divulgada por exame.
Crise financeira e proposta da Disney
A Disney ofereceu US$ 20 milhões por uma licença perpétua e não exclusiva de parte da propriedade intelectual da Character.AI. Desse total, US$ 7,5 milhões já foram pagos antes mesmo do pedido de falência, segundo documentos judiciais apresentados no processo.
Além do licenciamento, a proposta da Disney prevê cerca de US$ 180 milhões em remuneração e incentivos de retenção ao longo de três anos para mais de 60 profissionais. O pacote inclui US$ 30 milhões em bônus específicos para garantir a permanência da equipe técnica estratégica.
Investigações e segurança de menores
A startup enfrenta forte pressão pública após acusações de expor crianças e adolescentes a interações nocivas com chatbots. Em 2024, uma ação judicial foi movida nos Estados Unidos após o suicídio de um adolescente que mantinha dependência emocional com uma personagem de ficção.
Para conter o avanço das investigações de procuradores-gerais estaduais, a empresa proibiu menores de 18 anos de usar os chats abertos. Autoridades exigem que qualquer futuro comprador implemente verificadores rígidos de idade para evitar o acesso a conteúdos sensíveis.
Futuro da plataforma de inteligência artificial
Fundada em 2021 por Daniel de Freitas e Noam Shazeer após deixarem o Google, a startup permitia conversas com figuras históricas, celebridades e personagens de ficção. Em 2024, os fundadores retornaram ao Google em um acordo bilionário de licenciamento, deixando a gestão executiva.
Caso nenhum comprador assuma a operação da Character.AI durante o leilão previsto para novembro, o serviço poderá ser totalmente encerrado. A direção atual reforça que a prioridade é encontrar parceiros capazes de sustentar a infraestrutura tecnológica.
Perguntas Frequentes
O que aconteceu com a Character.AI?
A startup de inteligência artificial pediu proteção contra credores nos Estados Unidos sob o Capítulo 11 e busca um comprador para evitar o encerramento das atividades.
Qual é a proposta da Disney para a Character.AI?
A Disney ofereceu US$ 20 milhões por uma licença de parte da tecnologia e planeja investir US$ 180 milhões em remuneração para reter mais de 60 profissionais da empresa.
Quem fundou a Character.AI?
A plataforma foi cofundada em 2021 pelo engenheiro brasileiro Daniel de Freitas e pelo americano Noam Shazeer, ambos com passagens importantes pelo Google.
A plataforma Character.AI vai continuar funcionando?
O serviço segue em operação temporária enquanto a empresa negocia a venda de seus ativos, com previsão de conclusão até o início de dezembro.

