Decisão do governo atinge peças sobre diversidade sexual e processos de paz, provocando forte debate nacional.

O governo da Colômbia ordenou a retirada de dezenas de obras de arte do Museu Nacional, em Bogotá, gerando uma onda de forte controvérsia e críticas nas redes sociais entre visitantes e especialistas.

A medida, executada nesta sexta-feira, removeu trabalhos ligados à diversidade sexual, aos processos de paz e aos assassinatos de figuras políticas, sob a justificativa de uma grande renovação administrativa.

A ação governamental foi duramente criticada por cidadãos e acadêmicos que consideram o ato uma afronta à memória histórica, conforme informação divulgada por cartacapital.

Censura a obras de arte no Museu Nacional

Na sala nomeada Hacer sociedad, paredes que exibiam itens sobre a comunidade LGBT+ e o acordo de paz de 2016 com as Farc amanheceram completamente vazias durante a manhã.

Funcionários locais pintavam os espaços em branco pouco antes do fechamento temporário do local, surpreendendo dezenas de visitantes que buscavam explicações sobre a mudança drástica.

O professor John Fredy Rodríguez afirmou que nenhuma censura conseguirá apagar a história, declarando que a memória coletiva da sociedade colombiana sempre vai resistir aos ataques.

Justificativa da ministra da Cultura

A ministra da Cultura, Paola Holguín, defendeu publicamente a ação na rede social X, argumentando que a instituição cultural não deve funcionar como instrumento de doutrinação.

Segundo a ministra, a administração atual precisa zelar pelo respeito aos direitos fundamentais das crianças, alinhando-se às diretrizes estabelecidas pela nova gestão conservadora no poder.

Paola Holguín recebeu apoio direto do presidente Abelardo de la Espriella, que a tratou publicamente como sua generala durante pronunciamentos oficiais recentes sobre o tema.

Discurso contra a cultura woke na Colômbia

O presidente Abelardo de la Espriella declarou que o Estado tem o dever moral de impedir que espaços culturais sejam capturados pelo chamado social-comunismo ateu.

Aliado de Donald Trump, o chefe de Estado classificou a cultura woke como um dos grandes cânceres que ameaçam a unidade nacional e os valores tradicionais do país.

Desde que assumiu o poder há dois meses, o mandatário tem enfrentado contestações devido ao uso frequente de imagens religiosas e declarações contrárias a direitos constitucionais.

Perguntas Frequentes

Por que o governo da Colômbia retirou obras do Museu Nacional?

O governo ordenou a remoção de peças sobre diversidade sexual e processos de paz para evitar o que classifica como doutrinação política e infiltração da cultura woke nos espaços culturais.

Quais temas foram afetados pela retirada de obras em Bogotá?

Foram retiradas obras relacionadas à comunidade LGBT+, aos assassinatos de figuras políticas, ao ativismo e ao acordo de paz de 2016 que desarmou a guerrilha das Farc.

Quem defendeu a retirada das obras de arte no museu?

A medida foi defendida pela ministra da Cultura, Paola Holguín, e pelo presidente Abelardo de la Espriella, que criticaram o uso de pautas progressistas em museus estatais.