Aquecimento das águas afeta costa do Pacífico e gera crise econômica em comunidades.

O fenômeno climático El Niño, aliado às mudanças climáticas globais, provocou um aquecimento sem precedentes nos oceanos, elevando a temperatura das águas em até 6°C em profundidade na região do Pacífico oriental.

Como consequência direta dessa alteração térmica, espécies marinhas fundamentais migraram em busca de locais mais frios, deixando as redes dos pescadores artesanais praticamente vazias e causando graves prejuízos financeiros.

Os impactos severos atingem países como Equador, Peru, Panamá e Guatemala, conforme informação divulgada por cartacapital, paralisando portos e desestabilizando o mercado local de frutos do mar.

Impacto do El Niño na pesca artesanal do Equador

No povoado de Santa Rosa, no Equador, pescadores como Juan Ollague relatam noites inteiras de trabalho para capturar apenas uma fração do volume habitual, como pequenas cavalas-fragata, devido ao calor excessivo na água.

O oceanógrafo Jonathan Cedeño explica que a temperatura média nas águas equatorianas subiu cerca de 3°C na superfície, reduzindo drasticamente a produtividade marinha e afetando a captura de espécies valiosas para a economia.

O país, que é o segundo maior produtor mundial de atum, enfrenta a escassez de pescado e a duplicação nos preços do dourado e da bicuda, o que prejudica tanto os trabalhadores quanto os comerciantes locais.

Crise financeira e custos operacionais no Panamá

Em Veracruz, perto da Cidade do Panamá, o pescador Rigoberto González precisa navegar por distâncias maiores e estender sua jornada diária para garantir o sustento da família e pagar pelos insumos básicos.

Os gastos com combustível e gelo para a conservação do pescado dispararam, enquanto o líder sindical Jesús Morales aponta que muitos trabalhadores preferem manter os barcos ancorados para evitar prejuízos ainda maiores.

No mercado local, vendedores como Carlos Nieto gastam valores elevados mensalmente apenas com gelo para evitar que os mariscos estraguem com o calor intenso, ameaçando o abastecimento dos supermercados.

Desafios para pescadores na Guatemala e no Peru

Mais ao norte, em Iztapa, na Guatemala, o pescador Eliseo Ovando denuncia que o tempo necessário para conseguir uma boa pesca triplicou e critica a falta de apoio governamental adequado para o setor artesanal.

No Peru, principal produtor mundial de anchovetas utilizadas na fabricação de ração animal, o afastamento dos cardumes forçou muitos trabalhadores a abandonarem a atividade para buscar sustento na construção civil.

A crise generalizada provocou o fechamento temporário de estabelecimentos comerciais próximos aos portos, refletindo a falta de renda e o impacto socioeconômico profundo gerado pela crise climática na região.

Perguntas Frequentes

Como o El Niño afeta a pesca na América Latina?

O El Niño aquece as águas do Oceano Pacífico em até 6°C, fazendo com que espécies como anchovetas, atuns e pargos migrem para águas mais profundas e frias, o que esvazia as redes dos pescadores artesanais.

Quais países são mais atingidos pelo aquecimento dos oceanos?

Os impactos mais severos são sentidos por comunidades de pescadores em países como Equador, Peru, Panamá e Guatemala, onde portos enfrentam paralisações e colapsos econômicos.

Qual é o impacto do El Niño no preço dos pescados?

Com a escassez de espécies como o dourado e a bicuda no Equador, os preços dobraram, enquanto comerciantes enfrentam custos muito maiores com gelo para conservar os produtos diante do calor.

Por que as anchovetas peruanas sumiram das áreas tradicionais?

O aumento da temperatura da água obrigou as anchovetas a se afastarem para regiões mais frescas, o que levou muitos pescadores peruanos a migrarem temporariamente para outros setores, como a construção civil.