Especialistas alertam para riscos estratégicos com a possível retomada de vendas de ativos da estatal.
A discussão sobre o futuro da Petrobras ganhou novo fôlego com a possibilidade de retomada da privatização de ativos da companhia em um eventual novo governo bolsonarista, gerando forte debate no cenário político nacional e entre especialistas do setor energético brasileiro, conforme informação divulgada por cartacapital.
O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis alerta que a euforia dos mercados no pós primeiro-turno ignora os impactos sociais, econômicos e ambientais provocados pelo recente desmonte e pela desnacionalização da principal estatal do país nos últimos anos.
A experiência acumulada durante as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro demonstra que a política energética nacional não pode ser subordinada exclusivamente à lógica de mercado, sob o risco de comprometer a soberania do Brasil e o abastecimento interno de combustíveis.
Desmonte e venda de ativos estratégicos
Entre 2016 e 2022, a Petrobras vendeu 218 ativos em operações que movimentaram cerca de 170,34 bilhões de reais, incluindo refinarias, campos petrolíferos, a BR Distribuidora, a Liquigás, a Gaspetro e redes de transporte de gás natural, conforme levantamento realizado pelo Ineep.
A saída de segmentos cruciais como o refino e a distribuição reduziu a capacidade da empresa de mitigar a volatilidade dos preços internacionais, deixando famílias e setores produtivos mais vulneráveis a crises globais e elevando expressivamente os custos ao consumidor final no país.
Impacto na soberania energética e alimentar
A decisão de abandonar o segmento de fertilizantes reduziu os investimentos e aprofundou a dependência externa brasileira por insumos essenciais para a produção agrícola, evidenciando que a segurança alimentar e a segurança energética são pilares indissociáveis da soberania nacional.
Com a desverticalização, a Petrobras perdeu espaço como indutora do desenvolvimento, provocando forte retração na indústria naval, que registrou queda de mais de 40% nos empregos qualificados entre 2014 e 2022, de acordo com dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego.
Desafios da transição energética justa
Uma empresa focada apenas na extração de petróleo e na alta distribuição de dividendos perde a capacidade financeira e tecnológica de investir em descarbonização, adaptação climática e novas fontes de energia renovável, essenciais para o futuro sustentável do país.
Enquanto potências globais fortalecem o papel do Estado na proteção de interesses estratégicos, a retomada de privatizações ampliaria a vulnerabilidade geopolítica do Brasil frente às pressões externas, limitando o potencial de industrialização e inovação tecnológica de longo prazo.
Perguntas Frequentes
Quais ativos da Petrobras foram vendidos entre 2016 e 2022?
Nesse período, a estatal vendeu 218 ativos, incluindo refinarias, campos de petróleo, BR Distribuidora, Liquigás, Gaspetro e infraestruturas de transporte de gás.
Por que a privatização de ativos da Petrobras é considerada um risco?
Especialistas apontam que a venda enfraquece o abastecimento nacional, aumenta a dependência de importações e eleva os preços dos combustíveis para a população.
Qual foi o impacto da saída da Petrobras do setor de fertilizantes?
A decisão reduziu investimentos cruciais e agravou a dependência externa do Brasil em insumos essenciais para a produção de alimentos e para a segurança alimentar.
O que defende o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo?
O Ineep defende que a Petrobras deve atuar como uma empresa integrada de energia, articulada com políticas públicas para garantir o desenvolvimento soberano do Brasil.

