Montadora aponta desafios globais, avanço chinês e defende novas regras para a produção automotiva regional.

O grupo automotivo Stellantis avalia o futuro de suas unidades fabris na Argentina diante de um cenário de margens apertadas e forte pressão competitiva. A declaração foi feita por Herlander Zola, CEO da montadora para a América do Sul, durante um encontro com jornalistas realizado em São Paulo, conforme informação divulgada por exame.

A montadora registrou expressivos números no mercado brasileiro entre janeiro e julho, emplacando quase 440 mil veículos e mantendo a liderança regional. No entanto, as vendas no bloco sul-americano recuaram 2% no segundo trimestre, acendendo o sinal amarelo para a sustentabilidade de algumas plantas produtivas na América do Sul.

Diante da chegada agressiva de competidores estrangeiros e do processo de eletrificação, o executivo cobrou que o governo brasileiro implemente medidas de proteção à indústria local. A intenção é garantir regras claras para que novas marcas instalem fábricas e produzam no país, protegendo o polo industrial nacional.

Desafios e margens no mercado automotivo

A margem de lucro da Stellantis na América do Sul sofreu uma retração expressiva, caindo de cerca de 15% para 10%. Segundo a companhia, o recuo reflete um ambiente de alta competitividade global impulsionado pelo avanço das marcas chinesas.

Herlander Zola explicou que a empresa avalia o ponto de equilíbrio de cada planta fabril para definir até que ponto vale a pena manter o volume de vendas. Enquanto marcas como a Fiat mantêm forte competitividade com veículos de maior saída, outras enfrentam cenários mais complexos.

A estratégia da indústria tem privilegiado o segmento de SUVs e picapes em detrimento dos hatches de entrada. O foco está nos modelos de maior rentabilidade, cuja faixa de preço mais procurada pelo consumidor brasileiro fica entre R$ 120 mil e R$ 180 mil.

O impacto da indústria chinesa na América do Sul

As previsões feitas pelo setor automotivo anos atrás sobre a resistência do consumidor aos produtos chineses se mostraram equivocadas. O impacto da chegada dessas marcas ao mercado sul-americano exigiu mudanças rápidas na competitividade tecnológica.

A Stellantis destaca que o avanço chinês alterou a dinâmica comercial em várias regiões do mundo, incluindo Europa, Turquia e Oriente Médio. No Chile, por exemplo, o mercado já operava de forma aberta e acostumada à presença dessas marcas.

Para enfrentar esse novo cenário, o grupo automotivo reforça que cada país afetado busca soluções regulatórias adequadas. No caso da América do Sul, Brasil e Argentina concentram os principais polos produtivos da região.

Negócios e novos lançamentos no Brasil

Com um portfólio robusto de 14 marcas tradicionais e a parceria com a chinesa Leapmotor, o grupo aposta em novidades para o mercado nacional. O recém-lançado Jeep Avenger já começou a ser comercializado no país em meados de agosto.

A Fiat, completando 50 anos de atuação no Brasil, segue como um dos pilares de sustentação da Stellantis, respondendo por quase 20% das vendas totais. O modelo Strada continua como o veículo mais emplacado do mercado brasileiro.

As discussões com o governo brasileiro continuam alinhadas às tendências globais para definir salvaguardas industriais. O objetivo central é estabelecer compromissos firmes de produção local para todas as montadoras que operam no país.

Perguntas Frequentes

Por que a Stellantis cogita fechar fábricas na Argentina?

A montadora enfrenta margens menores na América do Sul e forte pressão competitiva, o que obriga a empresa a reavaliar a saturação e a rentabilidade de cada planta produtiva na região.

Qual é a posição da Stellantis sobre a concorrência chinesa?

O CEO Herlander Zola admitiu que a indústria errou ao subestimar o impacto das marcas chinesas, que exigiram uma adaptação tecnológica e comercial acelerada em todo o mundo.

O que a Stellantis está exigindo do governo brasileiro?

A companhia cobra a definição de um modelo de proteção à indústria automotiva nacional, impondo regras que exijam compromisso de produção local por parte das novas marcas concorrentes.

Quais são os modelos mais vendidos da Stellantis no Brasil?

A picape Fiat Strada lidera as vendas gerais no país, enquanto a montadora foca sua estratégia comercial na expansão do segmento de SUVs e carros de maior rentabilidade.