Empresas enfrentam desafios técnicos e custos para atender padrões internacionais de sustentabilidade no Brasil
A transição climática no Brasil entrou em uma nova fase voltada para a implementação prática de soluções, superando a etapa focada apenas na criação de metas e compromissos empresariais.
A recente revogação da Resolução CVM 244 evidenciou que muitas companhias nacionais ainda carecem de estrutura adequada para cumprir os rigorosos padrões internacionais IFRS S1 e IFRS S2 nos prazos previstos.
Apesar disso, investidores e cadeias globais de valor continuam exigindo alta transparência e dados comparáveis, conforme informação divulgada por exame.
Custo para elaborar relatório de sustentabilidade
Estudos recentes conduzidos pelo Climate Finance Hub revelam que uma pequena ou média empresa brasileira gasta, no mínimo, cerca de 94 mil reais para elaborar o primeiro relatório de sustentabilidade.
Esse valor pode saltar para aproximadamente 200 mil reais considerando um ciclo de três anos, englobando inventário de emissões e processos essenciais de governança, sem contar plataformas dedicadas.
A especialista Linda Murasawa destaca que mais de 80% desse montante corresponde ao esforço técnico interno necessário para organizar dados e avaliar riscos climáticos.
Padronização com IFRS S1 e IFRS S2
A implementação dos padrões internacionais IFRS S1 e IFRS S2 é fundamental para eliminar a assimetria informacional e garantir comparabilidade entre empresas de diferentes setores e jurisdições.
Enquanto o IFRS S1 direciona a divulgação de riscos capazes de afetar o fluxo de caixa, o IFRS S2 aprofunda especificamente os aspectos e impactos relacionados ao clima.
Sem essa unificação de linguagem, organizações utilizam métricas distintas, o que dificulta a avaliação da materialidade financeira por parte de bancos e investidores.
Soluções tecnológicas e inteligência artificial
Para reduzir o custo do reporte e aumentar a qualidade das informações, especialistas apontam o uso de inteligência artificial e interoperabilidade entre bases de dados.
Metodologias como ACT, TPT e recomendações da TCFD ajudam corporações industriais a compreender seu estágio de preparação para a economia de baixo carbono.
Setores como cimento, química e mineração dependem de evidências robustas e verificáveis para manter a competitividade nos mercados internacionais mais exigentes.
Perguntas Frequentes
O que são os padrões IFRS S1 e IFRS S2?
São padrões internacionais de sustentabilidade criados para unificar a divulgação de riscos e oportunidades corporativas, onde o IFRS S1 foca no fluxo de caixa e o IFRS S2 aprofunda as questões climáticas.
Quanto custa um relatório de sustentabilidade para pequenas empresas?
O custo mínimo estimado para uma pequena ou média empresa brasileira elaborar o primeiro relatório é de cerca de 94 mil reais, podendo chegar a 200 mil reais em um ciclo de três anos.
Qual é o principal obstáculo na transição climática das empresas?
O maior desafio não está na tecnologia, mas na capacidade organizacional interna para estruturar dados, processos de governança e evidências exigidas pelo mercado.
Como a inteligência artificial ajuda na sustentabilidade corporativa?
A inteligência artificial e a interoperabilidade de dados reduzem significativamente o custo e o tempo de produção de relatórios de impacto ambiental e transição climática.

