Entenda por que a tokenização de ativos reais falhou no passado e quais fatores impulsionam o crescimento do mercado atualmente.
A tokenização de ativos reais, conhecida no mercado financeiro global como RWA, voltou a chamar a atenção de investidores institucionais e especialistas em tecnologia após uma série de transformações recentes no setor, conforme informação divulgada por exame.
Apesar de o conceito ter surgido há mais de uma década com as primeiras experiências em blockchain, a primeira onda de ofertas digitais realizada em 2018 acabou falhando devido a lacunas regulatórias, operacionais e de custódia que impediam o avanço seguro dos grandes capitais.
Agora, impulsionado por stablecoins e títulos públicos tokenizados por gigantes como BlackRock e Franklin Templeton, o setor registra uma expansão expressiva no volume de recursos administrados on-chain em diversas redes de blockchain, conforme informação divulgada por exame.
O fracasso histórico das STOs em 2018
Em outubro de 2018, o St. Regis Aspen Resort, um hotel de luxo localizado no Colorado, vendeu US$ 18 milhões em participações tokenizadas na rede Ethereum, virando manchete internacional como o primeiro imóvel-troféu negociado em blockchain pública.
Nos cinco anos seguintes, o mercado secundário prometido nunca apareceu e a onda de Security Token Offerings, as chamadas STOs, dissolveu-se quase inteiramente por falta de aderência prática e de uma infraestrutura adequada para os investidores.
A tecnologia subjacente mudou pouco desde 2018, mas o ecossistema ao seu redor evoluiu bastante, resolvendo gargalos críticos que travavam a liquidação de transações e a entrada de grandes fundos regulados no mercado de ativos digitais.
O papel central das stablecoins e títulos públicos
O ponto de virada aconteceu quando o mercado encontrou respostas para demandas institucionais básicas, como o uso de stablecoins para liquidação nativamente digital e a emissão de títulos do Tesouro americano tokenizados.
Em setembro de 2026, de um total de US$ 33 bilhões registrados em blockchain, os títulos públicos sozinhos respondiam por quase metade do mercado, enquanto o crédito privado ocupava a segunda posição entre os ativos mais negociados.
Empresas como BlackRock e Franklin Templeton lideraram esse movimento ao oferecer opções seguras para estacionar caixa on-chain rendendo juros, superando o foco inicial em imóveis e obras de arte.
Projeções milionárias e desafios de liquidez
O potencial de crescimento é avaliado por diversas instituições financeiras com projeções ambiciosas para os próximos anos, embora existam divergências significativas entre as estimativas divulgadas por analistas do setor.
A McKinsey estima cerca de US$ 2 trilhões até 2030, enquanto o Boston Consulting Group projeta US$ 16 trilhões e a Standard Chartered aposta em US$ 30 trilhões até 2034, considerando diferentes escopos de ativos.
Apesar do otimismo com o tamanho da prateleira global, levantamentos recentes mostram que uma parcela expressiva dos ativos tokenizados ainda não registra nenhuma atividade semanal de transferência, evidenciando que emissão não é sinônimo de liquidez.
Perguntas Frequentes
O que significa RWA na tokenização de ativos?
RWA significa Real World Assets, ou ativos do mundo real, abrangendo qualquer ativo originado fora da rede blockchain e representado nela, como títulos públicos, crédito privado e imóveis.
Por que a primeira tentativa de tokenização em 2018 falhou?
A primeira geração falhou devido a lacunas financeiras na liquidação, falta de clareza regulatória sobre valores mobiliários e problemas de custódia de chaves privadas para fundos regulados.
Quais ativos lideram o mercado atual de tokenização?
Os títulos públicos tokenizados e o crédito privado formam a maior parte do mercado atual, superando amplamente os imóveis e as commodities na preferência dos investidores institucionais.
Qual é a projeção de crescimento para o mercado de RWAs?
Projeções variam conforme a instituição, com a McKinsey estimando US$ 2 trilhões até 2030 e o Boston Consulting Group projetando US$ 16 trilhões no mesmo horizonte.

